Hobbes – Vestibular e ENEM

 

1. (Enem PPL 2016) A importância do argumento de Hobbes está em parte no fato de que ele se ampara em suposições bastante plausíveis sobre as condições normais da vida humana. Para exemplificar: o argumento não supõe que todos sejam de fato movidos por orgulho e vaidade para buscar o domínio sobre os outros; essa seria uma suposição discutível que possibilitaria a conclusão pretendida por Hobbes, mas de modo fácil demais. O que torna o argumento assustador e lhe atribui importância e força dramática é que ele acredita que pessoas normais, até mesmo as mais agradáveis, podem ser inadvertidamente lançadas nesse tipo de situação, que resvalará, então, em um estado de guerra.

 

RAWLS, J. Conferências sobre a história da filosofia política. São Paulo: WMF, 2012 (adaptado).

 

O texto apresenta uma concepção de filosofia política conhecida como

a) alienação ideológica.

b) microfísica do poder.

c) estado de natureza.

d) contrato social.

e) vontade geral.

 

 

Resposta:

 [C]

Thomas Hobbes é um dos filósofos contratualistas, exatamente por considerar que toda comunidade política é fundada em um pacto social. A ausência dessa pacto faz com que os indivíduos estejam em um estado de natureza, na qual haveria a guerra de todos contra todos.

 

 

2. (Enem 2015) A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar.

HOBBES, T. Leviatã. São Paulo Martins Fontes, 2003

Para Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, quando dois homens desejavam o mesmo objeto, eles

a) entravam em conflito.

b) recorriam aos clérigos.

c) consultavam os anciãos.

d) apelavam aos governantes.

e) exerciam a solidariedade.

 

 

Resposta:

 [A]

Segundo Hobbes, os homens, em seu estado de natureza, permanecem em um constante conflito. É a constituição da cidade civil que irá por fim a esse estado de guerra de todos contra todos.

 

 

3. (Uema 2015) Para Thomas Hobbes, os seres humanos são livres em seu estado natural, competindo e lutando entre si, por terem relativamente a mesma força. Nesse estado, o conflito se perpetua através de gerações, criando um ambiente de tensão e medo permanente. Para esse filósofo, a criação de uma sociedade submetida à Lei, na qual os seres humanos vivam em paz e deixem de guerrear entre si, pressupõe que todos renunciem à sua liberdade original. Nessa sociedade, a liberdade individual é delegada a um só dos homens que detém o poder inquestionável, o soberano.

Fonte: MALMESBURY, Thomas Hobbes de. Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. Trad. João Paulo Monteiro; Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Editora NOVA Cultural, 1997.

A teoria política de Thomas Hobbes teve papel fundamental na construção dos sistemas políticos contemporâneos que consolidou a (o)

a) Monarquia Paritária.

b) Despotismo Soberano.

c) Monarquia Republicana.

d) Monarquia Absolutista.

e) Despotismo Esclarecido.

 

 

Resposta:

 [D]

Segundo Hobbes uma vez que os homens encontram-se num estado de guerra de “todos contra todos”, a construção da sociedade somente pode ocorrer quanto todos os membros rendem sua liberdade natural para uma única figura capaz de garantir a paz e a segurança a todos. Esta figura é entendida pelo autor como um mal necessário (um leviatã) que deve possuir poder inquestionável, não estando rendido a qualquer atrelamento, seja ele partidário ou republicano. Para que esta figura possa governar de forma a cuidar dos interesses de todos sem estar ligado a nenhum condicionamento, ela deve possuir um poder e uma autoridade inquestionável. Embora Hobbes não fosse um defensor árduo do absolutismo, suas teses serviram de base para justificar a monarquia como forma mais viável de garantir a todos um estado de paz. Portanto, a monarquia absolutista é o remédio para garantir a coexistência dos homens em sociedade. O despotismo esclarecido vai no sentido contrário, sendo inspirado pela filosofia iluminista, cria uma abertura não existente na filosofia de Hobbes, na qual o monarca não é mais visto como absoluto, mas sim como alguém que ainda exerce o poder, mas sem o caráter divino e inquestionável dos seus antecessores.

 

 

 

4. (Unesp 2014) A China é a segunda maior economia do mundo. Quer garantir a hegemonia no seu quintal, como fizeram os Estados Unidos no Caribe depois da guerra civil. As Filipinas temem por um atol de rochas desabitado que disputam com a China. O Japão está de plantão por umas ilhotas de pedra e vento, que a China diz que lhe pertencem. Mesmo o Vietnã desconfia mais da China do que dos Estados Unidos. As autoridades de Hanói gostam de lembrar que o gigante americano invadiu o México uma vez. O gigante chinês invadiu o Vietnã dezessete.

(André Petry. O Século do Pacífico. Veja, 24.04.2013. Adaptado.)

A persistência histórica dos conflitos geopolíticos descritos na reportagem pode ser filosoficamente compreendida pela teoria

a) iluminista, que preconiza a possibilidade de um estado de emancipação racional da humanidade.

b) maquiavélica, que postula o encontro da virtude com a fortuna como princípios básicos da geopolítica.

c) política de Rousseau, para quem a submissão à vontade geral é condição para experiências de liberdade.

d) teológica de Santo Agostinho, que considera que o processo de iluminação divina afasta os homens do pecado.

e) política de Hobbes, que conceitua a competição e a desconfiança como condições básicas da natureza humana.

 

 

Resposta:

 [E]

Obviamente, é muito difícil compreender a persistência histórica dos conflitos geopolíticos através dessa teoria política hobbesiana, pois a grande obra do filósofo britânico não se resume à definição do estado de natureza do homem, no qual todos estão em guerra contra todos. Além disso, não faz qualquer sentido confundir tal estado de natureza com a nossa realidade, que ao se chamar geopolítica já impede uma relação direta com a suposta condição primária da civilização. Nem nós, nem a Inglaterra de Hobbes representamos o estado de natureza, pois tal premissa é um postulado da especulação filosófica do autor, e não um fato constatado. Ora, nós vivemos em uma sociedade global, e não estamos em vivendo no caos absoluto de um confronto geral de vida ou morte.

Se fôssemos compreender a persistência história dos conflitos geopolíticos através da teoria política hobbesiana, então deveríamos tomar tais constantes disputas como resultado da incapacidade dos homens de instituírem um governo global forte o suficiente que obrigasse os cidadãos a honrarem o pacto social.

 

 

5. (Ufsj 2013) Leia atentamente os fragmentos abaixo.

 I. “Também tem sido frequentemente ensinado que a fé e a santidade não podem ser atingidas pelo estudo e pela razão, mas sim por inspiração sobrenatural, ou infusão, o que, uma vez aceita, não vejo por que razão alguém deveria justificar a sua fé…”.

II. “O homem não é a consequência duma intenção própria duma vontade, dum fim; com ele não se fazem ensaios para obter-se um ideal de humanidade; um ideal de felicidade ou um ideal de moralidade; é absurdo desviar seu ser para um fim qualquer”.

III. “(…) podemos estabelecer como máxima indubitável que nenhuma ação pode ser virtuosa ou moralmente boa, a menos que haja na natureza humana algum motivo que a produza, distinto do senso de sua moralidade”.

IV. “A má-fé é evidentemente uma mentira, porque dissimula a total liberdade do compromisso. No mesmo plano, direi que há também má-fé, escolho declarar que certos valores existem antes de mim (…).”

Os quatro fragmentos de texto acima são, respectivamente, atribuídos aos seguintes pensadores

a) Nietzsche, Sartre, Hobbes, Hume.

b) Hobbes, Nietzsche, Hume, Sartre.

c) Hume, Nietzsche, Sartre, Hobbes.

d) Sartre, Hume, Hobbes, Nietzsche.

 

Resposta:

 [B]

Thomas Hobbes (1588-1679) foi um filósofo inglês que hoje é mais conhecido pela sua filosofia política. Na sua principal obra, o Leviatã, o autor estabelece a fundação de uma grande tradição do pensamento político, a tradição contratualista. Apesar de favorecer na sua teoria o governo absoluto de um monarca, ele também desenvolveu pontos decisivos do liberalismo: o direito individual, a necessidade do caráter representativo do poder político, etc.

Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi um filósofo alemão ocupado principalmente com a questão da fundamentação da moral. Para ele não há qualquer fundamento indiscutível para a moral e, por conseguinte, a ação se justifica por ela mesma e não pela sua conformação com algum código. Sua filosofia é extremamente inspirada nos pensadores pré-socráticos e se organiza através de um método genealógico.

David Hume (1711-1776) foi um filósofo escocês dedicado ao desenvolvimento do empirismo e do ceticismo. No seu pensamento a ação moral não possui um caráter absolutamente racional, pois uma ação não pode ser movida unicamente pela razão, ela necessita também das paixões.

Jean-Paul Sartre (1905-1980) foi um filósofo francês central para o desenvolvimento da tradição existencialista. Sua ideia fundamental era a de que os homens são condenados a ser livres e com isso ele promove uma inversão, a saber, que a existência precede a essência, ou seja, não existe um criador que nos forma, porém nos formamos durante nossa existência através daquilo que projetamos e realizamos. A existência é primordialmente uma responsabilidade.

 

 

6. (Ufsm 2013) Sem leis e sem Estado, você poderia fazer o que quisesse. Os outros também poderiam fazer com você o que quisessem. Esse é o “estado de natureza” descrito por Thomas Hobbes, que, vivendo durante as guerras civis britânicas (1640-60), aprendeu em primeira mão como esse cenário poderia ser assustador. Sem uma autoridade soberana não pode haver nenhuma segurança, nenhuma paz.

Fonte: LAW, Stephen. Guia Ilustrado Zahar: Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

Considere as afirmações:

I. A argumentação hobbesiana em favor de uma autoridade soberana, instituída por um pacto, representa inequivocamente a defesa de um regime político monarquista.

II. Dois dos grandes teóricos sobre o estado de natureza”, Hobbes e Rousseau, partilham a convicção de que o afeto predominante nesse “estado” é o medo.

III. Um traço comum da filosofia política moderna é a idealização de um pacto que estabeleceria a passagem do estado de natureza para o estado de sociedade.

Está(ão) correta(s)

a) apenas I.

b) apenas II.

c) apenas III.

d) apenas I e II.

e) apenas II e III.

 

Resposta:

 [C]

A argumentação hobbesiana favorece qualquer estado que proteja a paz entre os cidadãos assegurando que as leis ordenadoras sempre prevaleçam, mesmo que o uso da força e da violência seja necessário. Todavia, para Hobbes a monarquia é o poder mais adequado, o soberano monarca é o governante ideal para o filósofo.

Já Rousseau pensa distintamente e o contrato é estabelecido devido o constante aumento das desigualdades engendrado naturalmente no estado primordial da humanidade. Os homens, então, se juntam para que a vontade geral passe a direcionar nossas ações, garantindo assim que todos sejam efetivamente considerados na sua importância sem que as desigualdades naturais dominem as cidades.

Este tipo de teoria geral sobre a origem, a construção e o desenvolvimento de uma sociedade é bastante comum a partir dos primórdios da modernidade. Hobbes, Locke e Rousseau são geralmente os nomes mais reconhecidos vinculados à teoria do contrato social, porém não são os únicos.

 

 

 

7. (Unioeste 2013) “Com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. […] E os pactos sem a espada não passam de palavras, sem força para dar segurança a ninguém. Portanto, apesar das leis da natureza (que cada um respeita quando tem vontade de respeitá-las e quando pode fazê-lo com segurança), se não for instituído um poder suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar apenas em sua própria força e capacidade, como proteção contra todos”.

Hobbes.

Considerando o texto citado e o pensamento político de Hobbes, seguem as afirmativas abaixo:

I. A situação dos homens, sem um poder comum que os mantenha em respeito, é de anarquia, geradora de insegurança, angústia e medo, pois os interesses egoísticos são predominantes, e o homem é lobo para o homem.

II. As consequências desse estado de guerra generalizada são as de que, no estado de natureza, não há lugar para a indústria, para a agricultura nem navegação, e há prejuízo para a ciência e para o conforto dos homens.

III. O medo da morte violenta e o desejo de paz com segurança levam os indivíduos a estabelecerem entre si um pacto de submissão para a instituição do estado civil, abdicando de seus direitos naturais em favor do soberano, cujo poder é limitado e revogável por causa do direito à resistência que tem vigência no estado civil assim instituído.

IV. Apesar das leis da natureza, por não haver um poder comum que mantenha a todos em respeito, garantindo a paz e a segurança, o estado de natureza é um estado de permanente temor e perigo da morte violenta, e “a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta”.

V. O poder soberano instituído mediante o pacto de submissão é um poder limitado, restrito e revogável, pois no estado civil permanecem em vigor os direitos naturais à vida, à liberdade e à propriedade, bem como o direito à resistência ao poder soberano.

Das afirmativas feitas acima

a) somente a afirmação I está correta.

b) as afirmações I e III estão corretas.

c) as afirmações II e IV estão incorretas.

d) as afirmação III e V estão incorretas.

e) as afirmações II, III e IV estão corretas.

 

Resposta:

 [D]

O estado de natureza é “natural” em apenas um sentido específico. Hobbes considera autoridade política artificial, e considera em contrapartida o estado anterior à instituição de um governo civil natural. Então, nessa sua condição “natural” o ser humano carece da autoridade artificial do governo civil, e sua única autoridade é a natural, ou seja, é aquela da mãe sobre o filho – dado que a mãe tem posse da vida do filho; entre adultos inevitavelmente o caso difere e surge a necessidade do artifício.

Naturalmente, todo homem adulto tem direito igual a todas as coisas, porém, factualmente, cada homem difere um do outro em força e, talvez, até em inteligência. Esse desnível facilita a vida de alguns e dificulta a vida de outros. Todavia, tal desnível leva cada homem ao reconhecimento do seu poder de ameaçar a vida de qualquer outro, de modo que invariavelmente o estado de natureza se transforma em uma disputa de todos contra todos por tudo que é direito de todos. O estado de natureza é forçosamente uma guerra de todos contra todos.

Sendo assim, o pacto social é uma instituição precária, pois ele não é suficiente para garantir a paz e a prosperidade. Os homens presunçosos sempre acreditariam saber mais do que outros e, se livres para tanto, sempre se mobilizariam para desencadear guerras e tomar o poder. A fim de evitar tais catástrofes, o pacto social deve instituir a submissão da vontade de todos os indivíduos à vontade de um único déspota. Hobbes não considera que o contrato social seja contrário ao poder absoluto, e sim justamente o contrário; se desejamos paz e prosperidade, então devemos no momento do pacto submeter nossa vontade a vontade do déspota – o autor do Leviatã não nega a legitimidade de outros regimes, porém qualquer regime que divida o poder e faça possível uma competição que poderia comprometer a paz é tido como ilegítimo. A principal atribuição do déspota é a promoção e segurança da paz, para tanto ele deve abolir qualquer possibilidade de disputa e instituir uma ordem de acordo com a qual o cidadão deverá sempre estar conforme – e isto tanto em matéria política, quanto religiosa.

 

 

 

8. (Ufsj 2013) “A soberania é a alma do Estado, e uma vez separada do corpo os membros deixam de receber dela seu movimento”.

Esse fragmento representa o pensamento de

a) Hume em sua memorável defesa dos valores do Estado e da sua ligação direta com a sua “alma”, tomada aqui por intransferível soberania.

b) Hume e a descrição da soberania na perspectiva do sujeito em termos de impressões e ideias, que a partir daí cria um Estado humanizado que dá movimento às criações dos que nele estão inseridos.

c) Nietzsche, em sua mais sublime interpretação do agón grego. Ao centro daquilo que ele propôs como sendo a alma do Estado e onde a indagação sobre o lugar da soberania, no permanente desafio da necessária orquestração das paixões, se faz urgente.

d) Hobbes e o seu conceito clássico de soberania, entendido como o princípio que dá vida e movimento ao corpo inteiro do Estado, por sua vez criado pelo artifício humano para a sua proteção e segurança.

 

Resposta:

 [D]

Para Hobbes (1588-1679), o pacto social é uma instituição precária, pois ela não é suficiente para garantir a paz e a prosperidade. Os homens presunçosos sempre acreditariam saber mais que outros e assim, se livres para tanto, se mobilizariam inevitavelmente para desencadear guerras e tomar o poder. Para evitar tais catástrofes, o pacto social deve instituir a submissão da vontade de todos os indivíduos à vontade de um único déspota. O pacto social deve conceder a soberania a um único homem e o corpo social deve se submeter totalmente a ele. Sendo assim, Hobbes não considera que o contrato social seja contrário ao poder absoluto, mas justamente o contrário e se desejamos paz e prosperidade, então devemos no momento do pacto submeter a nossa vontade à vontade do déspota – o autor do Leviatã não nega a legitimidade de outros regimes, porém qualquer regime que divida o poder e faça possível uma competição que poderia comprometer a paz é tido como ilegítimo. Como podemos perceber, Hobbes considera que a principal atribuição do déspota é a promoção e segurança da paz, para tanto ele deve abolir qualquer possibilidade de disputa e instituir uma ordem de acordo com a qual o cidadão deverá sempre estar conforme – e isto tanto em matéria política, quanto religiosa.

 

 

9. (Ufsj 2013) Thomas Hobbes afirma que “Lei Civil”, para todo súdito, é

a) “construída por aquelas regras que o Estado lhe impõe, oralmente ou por escrito, ou por outro sinal suficiente de sua vontade, para usar como critério de distinção entre o bem e o mal”.

b) “a lei que o deixa livre para caminhar para qualquer direção, pois há um conjunto de leis naturais que estabelece os limites para uma vida em sociedade”.

c) “reguladora e protetora dos direitos humanos, e faz intervenção na ordem social para legitimar as relações externas da vida do homem em sociedade”.

d) “calcada na arbitrariedade individual, em que as pessoas buscam entrar num Estado Civil, em consonância com o direito natural, no qual ele – o súdito – tem direito sobre a sua vida, a sua liberdade e os seus bens”.

 

Resposta:

 [A]

A Lei Civil ordena o conteúdo proveniente da ação livre, isto é, da Lei Natural. Desse modo, o Estado Liberal, que pressupõe a existência da Lei Natural, organiza a atividade normativa através de leis positivas cuja finalidade é manter os excessos da liberdade controlados. Assim, “a função do poder civil, a segurança, consiste em fazer com que as Leis Naturais sejam observadas”. É por meio de leis civis que as leis naturais se tornam obrigatórias.

 

 

10. (Ufpa 2013) “Desta guerra de todos os homens contra todos os homens também isto é consequência: que nada pode ser injusto. As noções de bem e de mal, de justiça e injustiça, não podem aí ter lugar. Onde não há poder comum não há lei, e onde não há lei não há injustiça. Na guerra, a força e a fraude são as duas virtudes cardeais. A justiça e a injustiça não fazem parte das faculdades do corpo ou do espírito. Se assim fosse, poderiam existir num homem que estivesse sozinho no mundo, do mesmo modo que seus sentidos e paixões.”

HOBBES, Leviatã, São Paulo: Abril cultural, 1979, p. 77.

Quanto às justificativas de Hobbes sobre a justiça e a injustiça como não pertencentes às faculdades do corpo e do espírito, considere as afirmativas:

I. Justiça e injustiça são qualidades que pertencem aos homens em sociedade, e não na solidão.

II. No estado de natureza, o homem é como um animal: age por instinto, muito embora tenha a noção do que é justo e injusto.

III. Só podemos falar em justiça e injustiça quando é instituído o poder do Estado.

IV. O juiz responsável por aplicar a lei não decide em conformidade com o poder soberano; ele favorece os mais fortes.

Estão corretas as afirmativas:

a) I e II

b) I e III

c) II e IV

d) I, III e IV

e) II, III e IV

 

 

Resposta:

 [B]

A teoria contratual de Hobbes busca estabelecer um movimento no qual o homem passa de um estado natural para um estado civil. No estado natural, o homem vive em guerra com os outros homens, isto é, a finalidade da vida é manter-se vivo e se beneficiar do uso da violência, da trapaça, etc. contra os outros. A insustentabilidade desse estado leva o homem a buscar manter-se vivo de outra maneira, a saber, instituindo um governo que, na opinião do filósofo, deveria ditatorialmente se sobrepor a todos e estabelecer uma ordem inabalável. O governante tem o monopólio do medo e mantém a paz através da repressão para manutenção da lei e a garantia da justiça.

 

 

 

 

11. (Ufu 2013) Porque as leis de natureza (como a justiça, a equidade, a modéstia, a piedade, ou, em resumo, fazer aos outros o que queremos que nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes.

HOBBES, Thomas. Leviatã. Cap. XVII. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 103.

Em relação ao papel do Estado, Hobbes considera que:

a) O seu poder deve ser parcial. O soberano que nasce com o advento do contrato social deve assiná-lo, para submeter-se aos compromissos ali firmados.

b) A condição natural do homem é de guerra de todos contra todos. Resolver tal condição é possível apenas com um poder estatal pleno.

c) Os homens são, por natureza, desiguais. Por isso, a criação do Estado deve servir como instrumento de realização da isonomia entre tais homens.

d) A guerra de todos contra todos surge com o Estado repressor. O homem não deve se submeter de bom grado à violência estatal.

 

 

Resposta:

 

[B]

 

O Estado de natureza é “natural” em apenas um sentido específico. Para Hobbes a autoridade política é artificial e em contrapartida o Estado anterior à instituição do Governante é natural. Nesta sua condição “natural” o ser humano mantém apenas a relação de autoridade da mãe sobre o filho, pois ela tem a vida do filho. Entre adultos, inevitavelmente, o caso se complica e surge a necessidade do artifício. Naturalmente, todo homem tem direito igual a todas as coisas. Porém, cada homem difere um do outro em força e em inteligência. Apesar dessa diferença, cada homem tem poder suficiente para ameaçar a vida de qualquer outro, de modo que invariavelmente o Estado de natureza termina em uma disputa de todos contra todos por tudo que é direito de todos. Para o racionalismo hobbesiano, o Estado de natureza é forçosamente uma guerra de todos contra todos. O homem, como a máxima de Hobbes manifesta, é lupino.

 

 

 

 

12. (Ufsj 2013) “Liberdade significa, em sentido próprio, a ausência de oposição […] e não se aplica menos às criaturas irracionais e inanimadas do que às racionais”.

 

Esse é um fragmento de texto colhido de

a) David Hume.

b) Thomas Hobbes.

c) Friedrich Nietzsche.

d) Jean-Paul Sartre.

 

 

Resposta:

 [B]

Liberdade, no entender de Hobbes, é ausência de obstáculos externos às ações que contribuem para a preservação da vida. De acordo com o Capítulo XIV do Leviatã, a liberdade é um direito, e opõe-se à lei. Estamos diante da condição humana, isto é, diante do estado natural, no âmbito dos apetites e dos desejos primários do homem, e não diante de alguma qualidade intrínseca específica do homem.

 

 

 

 

13. (Uem 2013) No Leviatã, o filósofo Thomas Hobbes (1588-1679) afirma: “Este poder soberano pode ser adquirido de duas maneiras. Uma delas é a força natural, como quando um homem obriga os seus filhos a submeterem-se e a submeterem os seus próprios filhos à sua autoridade, na medida em que é capaz de os destruir em caso de recusa. Ou como quando um homem sujeita através da guerra os seus inimigos à sua vontade, concedendo-lhes a vida com essa condição. A outra é quando os homens concordam entre si em se submeterem a um homem, ou a uma assembleia de homens, voluntariamente, confiando que serão protegidos por ele contra os outros. Esta última pode ser chamada uma república política, ou por instituição. À primeira pode chamar-se uma república por aquisição” (HOBBES, T. Leviatã, XVII. In: MARÇAL, J. (org.). Antologia de Textos Filosóficos. Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 366). A partir do trecho citado, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) República por aquisição é o poder soberano adquirido pela força natural, como o poder de destruir em caso de desobediência.

02) República política é consequência dos acordos e pactos firmados entre os homens voluntariamente.

04) Os vencedores de uma guerra criam uma república por instituição.

08) Os homens livres, ao pactuarem em assembleia, adquirem uma república.

16) Instituir e adquirir são formas dos processos políticos originários das repúblicas.

 

 

Resposta:

 01 + 02 + 16 = 19.

Para Hobbes (1588-1679), o pacto social é uma instituição precária, pois ela não é suficiente para garantir a paz e a prosperidade. Os homens presunçosos sempre acreditariam saber mais que outros e assim, se livres para tanto, se mobilizariam inevitavelmente para desencadear guerras e tomar o poder. Para evitar tais catástrofes, o pacto social deve instituir a submissão da vontade de todos os indivíduos à vontade de um único déspota. O pacto social deve conceder a soberania a um único homem e o corpo social deve se submeter totalmente a ele. Sendo assim, Hobbes não considera que o contrato social seja contrário ao poder absoluto, mas justamente o contrário e se desejamos paz e prosperidade, então devemos no momento do pacto submeter a nossa vontade à vontade do déspota – o autor do Leviatã não nega a legitimidade de outros regimes, porém qualquer regime que divida o poder e faça possível uma competição que poderia comprometer a paz é tido como ilegítimo. Como podemos perceber, Hobbes considera que a principal atribuição do déspota é a promoção e segurança da paz, para tanto ele deve abolir qualquer possibilidade de disputa e instituir uma ordem de acordo com a qual o cidadão deverá sempre estar conforme – e isto tanto em matéria política, quanto religiosa.

 

 

 

14. (Unisc 2013) Um dos problemas principais da Filosofia Política é o de determinar a natureza do Estado, entendido como sociedade politicamente organizada. Essa questão começou a ser debatida na Filosofia Antiga e foi retomada, depois, na Idade Moderna pela ocasião do surgimento dos Estados Nacionais modernos, constituindo um tema central tanto da tradição liberal quanto do pensamento marxista. Considere agora as seguintes afirmações sobre esse assunto:

I. Para Aristóteles, como para os sofistas, a natureza do Estado é artificial. Surge de um acordo implícito por meio do qual alguns grupos humanos colocaram um fim em suas disputas.

II. Segundo Aristóteles, os homens têm tendência a viver em sociedade porque não podem se bastar a si mesmos.

III. Hobbes considerava que o Estado surgiu por meio de um acordo implícito por meio do qual os indivíduos abriram mão de seu direito de revidar os danos sofridos pela ação de outra pessoa, fazendo justiça pelas suas mãos, e transferiram esse direito a um terceiro impessoal: o Estado.

IV. Para Locke, os indivíduos não têm direito à propriedade privada e o único proprietário deve ser o Estado.

V. Para Marx, os estados nacionais, criados pela burguesia, representam os interesses de todas as classes sociais.

 

Assinale a alternativa correta.

a) Somente a afirmativa II está correta.

b) Somente as afirmativas II e III estão corretas.

c) Somente as afirmativas I e IV estão corretas.

d) Somente a afirmativa IV está correta.

e) Somente as afirmativas IV e V estão corretas.

 

 

Resposta:

 [B]

Para Platão, como podemos afirmar a partir do Livro II da República, os homens se agrupam em cidades porque não são autossuficientes. Já Aristóteles diz que os homens se agrupam em aldeias porque não são autossuficientes, e se agrupam em cidades porque apenas nelas eles são capazes de realizar sua virtude essencial.

Seguindo as pistas da sua concepção ontológica, Hobbes toma o homem como uma máquina movida pelo desejo. No estado natural, esse movimento que o homem realiza engendra uma realidade cuja lei é a “lei dos lobos”. O constante perigo e temor pela vida definem a necessidade de um artifício que se sobreponha ao estado de natureza. O estado de sociedade é esse artifício

 

 

 

15. (Uel 2012) Leia os textos a seguir.

A única maneira de instituir um tal poder comum é conferir toda sua força e poder a um homem ou a uma assembleia de homens. É como se cada homem dissesse a cada homem: Cedo e transfiro meu direito de governar-me a mim mesmo a este homem, ou a esta assembleia de homens, com a condição de transferires a ele teu direito, autorizando de maneira semelhante todas as suas ações. Feito isso, à multidão assim unida numa só pessoa se chama Estado.

(Adaptado de: HOBBES, T. Leviatã. Trad. de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p.109. Coleção Os Pensadores.)

O ponto de partida e a verdadeira constituição de qualquer sociedade política não é nada mais que o consentimento de um número qualquer de homens livres, cuja maioria é capaz de se unir e se incorporar em uma tal sociedade. Esta é a única origem possível de todos os governos legais do mundo.

(Adaptado de: LOCKE, J. Segundo tratado do governo civil: ensaio sobre a origem, os limites e os fins verdadeiros do governo civil. Trad. de Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. Petrópolis: Vozes, 1994. p.141. Coleção Os Pensadores.)

A partir da análise dos textos e dos conhecimentos sobre o jusnaturalismo e contratualismo no que se refere à instituição do Estado, explique as diferenças entre o contrato proposto por Hobbes e o proposto por Locke.

 

 

Resposta:

 Para Hobbes, o contrato é firmado pelos homens naturais entre si, que outorgam a um terceiro o poder soberano, sendo a instituição deste apenas a conclusão do contrato. O Estado é instituído, quando uma multidão de homens escolhe um representante e aceita todos os seus atos e decisões como se fossem seus atos e decisões. Assim, em Hobbes os seres humanos, com o objetivo de preservar suas vidas, transferem a outro homem ou assembleia a força de coerção da comunidade; trocam voluntariamente a liberdade que possuíam no estado de natureza pela segurança do Estado – Leviatã. Para Locke os seres humanos concordam em estabelecer a sociedade política – civil – com o objetivo de preservar e consolidar os direitos que já possuíam no estado de natureza – direito à vida, à liberdade e aos bens. Locke acredita que no estado civil os direitos naturais inalienáveis estarão mais bem protegidos sob o amparo da lei, do arbítrio e da força do corpo político unitário.

 

 

 

16. (Ufsj 2012) “Algumas criaturas vivas, como as abelhas e as formigas, que vivem socialmente umas com as outras […] tendem para o benefício comum”.

Para Thomas Hobbes, essa tendência não ocorre entre os homens porque

a) esses insetos, dentro da sua irracionalidade natural, dão lições de conduta aos seres humanos; seja na tarefa diária, seja na politização paradoxal do modelo comunista difundido por Joseph Stalin e Karl

b) as abelhas e as formigas têm a peculiaridade de construir suas sociedades dentro de uma unidade dinâmica e circular, que poderia ser bem definida como um contrato social se elas fossem Os seres humanos não atingiram tal estágio ainda.

c) estes estão constantemente envolvidos numa competição pela honra e pela dignidade e se julgam uns mais sábios que outros para exercer o poder público, reformam e inovam, o que muitas vezes leva o país à desordem e à guerra ci

d) o motivo maior que guia a vida de tais criaturas é a engrenagem da soberania da vontade de criar, da vontade de poder, retomada por Nietzsche e pelo

 

 

Resposta:

 [C]

 A passagem do enunciado, retirada do Leviatã, compara as formas de agregação do homem com a de algumas outras criaturas vivas, como as abelhas e as formigas. Hobbes reconhece que a sociedade dessas criaturas é diferente da sociedade humana e, então, procura as razões dessa diferença. Dentre as razões que ele enumera, está aquela afirmada na alternativa [C].

 

 

 

 

17. (Unesp 2012) “O homem é o lobo do homem” é uma das frases mais repetidas por aqueles que se referem a Hobbes. Essa máxima aparece coroada por uma outra, menos citada, mas igualmente importante: “guerra de todos contra todos”. Ambas são fundamentais como síntese do que Hobbes pensa a respeito do estado natural em que vivem os homens. O estado de natureza é o modo de ser que caracterizaria o homem antes de seu ingresso no estado social. O altruísmo não seria, portanto, natural. No estado de natureza o recurso à violência generaliza-se, cada qual elaborando novos meios de destruição do próximo, com o que a vida se torna “solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta, na qual cada um é lobo para o outro, em guerra de todos contra todos”. Os homens não vivem em cooperação natural, como fazem as abelhas e as formigas. O acordo entre elas é natural; entre os homens, só pode ser artificial. Nesse sentido, os homens são levados a estabelecer contratos entre si. Para o autor do Leviatã, o contrato é estabelecido unicamente entre os membros do grupo, que, entre si, concordam em renunciar a seu direito a tudo para entregá-lo a um soberano capaz de promover a paz. Não submetido a nenhuma lei, o soberano absoluto é a própria fonte legisladora. A obediência a ele deve ser total.

(João Paulo Monteiro. Os Pensadores, 2000.)

Caracterize a diferença entre estado de natureza e vida social, segundo o texto, e explique por que a é atribuída a Hobbes a concepção política de um “absolutismo sem teologia”.

 

 

Resposta:

 O estado de natureza pode ser considerado como um estado de natural insegurança, na medida em que impera a “guerra de todos contra todos” na luta pela sobrevivência. Em oposição, o estado de vida social é caracterizado pela segurança. Na medida em que todos transferem ao soberano, mediante o contrato social, o direito do uso legítimo e exclusivo da força, o soberano se torna a fonte da segurança civil. Dado que os homens não podem quebrar o contrato social para não caírem em contradição, Hobbes afirma que ninguém pode questionar o poder do soberano. É nesse sentido que Hobbes é considerado como idealizador de um absolutismo sem teologia, por considerar que o poder do soberano é advindo do contrato social, sem fazer qualquer referência a uma fonte divina.

 

18. (Ufsj 2012) “A honra do soberano deve ser maior do que a de qualquer um, ou a de todos os seus súditos”.

Assinale a alternativa que apresenta a fundamentação para essa ideia preconizada por Thomas Hobbes.

a) “A condição de súdito é muito miserável, mas sujeita a uma superação, pois se encontra sujeita aos apetites e paixões irregulares daquele ou daqueles que detêm em suas mãos poder tão ilimitado”.

b) “É na soberania que está a fonte da honra”.

c) “O Homem nunca pode deixar de ter uma ou outra inconveniência e a maior que é possível cair sobre o povo em geral é de pouca monta se comparada ao poder do soberano, que deve ser revitalizado de tempos em tempos”.

d) “Todos os homens são dotados de grandes lentes de aumento; todo pagamento parece um imenso fardo, o que gera lamentos e sofrimentos. Honra maior consiste em o soberano ter piedade e compreensão para com tais falhas humanas e doar poderes aos infelizes”.

 

 

Resposta:

 [B]

A afirmação da alternativa [B] é a única que expressa corretamente o pensamento de Thomas Hobbes. Para ele, a soberania está relacionada à honra e, sendo assim, não pode ser violada. Caso isso ocorra, volta-se ao estado de guerra de todos contra todos.

 

 

19. (Ufu 2012) […] a condição dos homens fora da sociedade civil (condição esta que podemos adequadamente chamar de estado de natureza) nada mais é do que uma simples guerra de todos contra todos na qual todos os homens têm igual direito a todas as coisas; […].

HOBBES, Thomas. Do Cidadão. Campinas: Martins Fontes, 1992.

De acordo com o trecho acima e com o pensamento de Hobbes, assinale a alternativa correta.

a) Segundo Hobbes, o estado de natureza se confunde com o estado de guerra, pois ambos são uma condição original da existência humana.

b) Para Hobbes, o direito dos homens a todas as coisas está desvinculado da guerra de todos contra todos.

c) Segundo Hobbes, é necessário que a condição humana seja analisada sempre como se os homens vivessem em sociedade.

d) Segundo Hobbes, não há vínculo entre o estado de natureza e a sociedade civil.

 

 

Resposta:

 [A]

O estado de natureza é “natural” em apenas um sentido específico. Para Hobbes, a autoridade política é artificial e em contrapartida o estado anterior à instituição do governo é natural. Na sua condição “natural”, o ser humano carece de governo, que é uma autoridade artificial, pois a única autoridade natural é aquela da mãe sobre o filho – dado que a mãe tem a vida do filho. Entre adultos, inevitavelmente o caso difere e surge a necessidade do artifício.

Naturalmente, todo homem tem direito igual a todas as coisas, porém, de fato, cada homem difere um do outro em força e, talvez, até em inteligência. Todavia, cada homem tem poder suficiente para ameaçar a vida de qualquer outro, de modo que invariavelmente o estado de natureza é uma disputa de todos contra todos por tudo que é direito de todos. O estado de natureza é forçosamente uma guerra de todos contra todos. Entre outras inúmeras funções, Hobbes, com essa teoria, se opõe à teoria monarquista do direito divino ao trono.

 

 

20. (Ufsj 2011) Com relação às diversas espécies de governos admitidos por Hobbes, assinale a alternativa que expressa três delas.

a) Aristocracia, república e governo fascista.

b) Monarquia, república e governo totalitário.

c) Monarquia, democracia e aristocracia.

d) República, aristocracia e governo constitucional.

 

Resposta:

 [C]

Segundo Hobbes, os governos variam conforme a diferença de quem é o soberano. A monarquia é o governo de um só homem soberano. A democracia ou governo popular é o governo de todos. Já a aristocracia é o governo de alguns.

 

 

 

 

21. (Unioeste 2011) “A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro não é suficientemente considerável para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer benefício a que outro não possa também aspirar, tal como ele. (…) Desta igualdade quanto à capacidade deriva a igualdade quanto à esperança de atingirmos nossos fins. Portanto, se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo (…) esforçam-se por se destruir ou subjugar um ao outro. (…) Com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama de guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens”.

Hobbes.

Com base no texto citado, seguem as seguintes afirmativas:

I. Os homens, por natureza, são absolutamente iguais, tanto no exercício de suas capacidades físicas, quanto no exercício de suas faculdades espirituais.

II. Sendo os homens, por natureza, “tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito” é razoável que cada um ataque o outro, quer seja para destruí-lo, quer seja para proteger-se de um possível ataque.

III. Na inexistência de um “poder comum” que “mantenha a todos em respeito”, a atitude mais racional é a de manter a paz e a concórdia na “esperança” de que todos e cada um atinjam seus fins.

IV. A condição dos homens que vivem sem um poder comum é de guerra generalizada, de todos contra todos.

V. O homem, por natureza, vive em sociedade e nela desenvolve suas potencialidades, mantendo relações sociais harmônicas e pacíficas.

 

Assinale a alternativa correta.

a) Apenas I está correta.

b) Apenas II e III estão corretas.

c) Apenas I e V estão corretas.

d) Apenas II e IV estão corretas.

e) Todas as afirmativas estão corretas.

 

 

Resposta:

[D]

Segundo Hobbes, os homens, no estado de natureza, vivem em guerra de todos contra todos. Uma vez que não há um poder que mantenha a todos em respeito, o mais racional é atacar o outro, seja para destruí-lo ou para preservar-se do seu ataque. Vale ressaltar que apesar de serem “tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito”, os homens não são absolutamente iguais uns em relação aos outros.

 

 

 

 

22. (Uenp 2011) “Porque as leis de natureza (como a justiça, a equidade, a modéstia, a piedade, ou, em resumo, fazer aos outros o que queremos que nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes. E os pactos sem a espada não passam de palavras, sem força para dar qualquer segurança a ninguém. Portanto, apesar das leis de natureza (que cada um respeita quando tem vontade de respeitá-las e quando pode fazê-lo com segurança), se não for instituído um poder suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar, apenas em sua própria força e capacidade, como proteção contra todos os outros.”

MALMESBURY, Thomas Hobbes de. Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil.

Sobre o pensamento de Hobbes, assinale a alternativa incorreta:

a) O contrato social que dá origem ao Estado só é obedecido pela força e pelo temor.

b) Os homens, na sua condição natural, observam apenas as suas paixões naturais.

c) O contrato social que dá origem ao Estado pode ser desfeito quando o soberano desrespeita os direitos dos súditos e age de forma parcial, visando a seus próprios interesses.

d) A concepção de homem natural de Hobbes é marcada por um profundo pessimismo antropológico.

e) A filosofia política hobbesiana é atomista.

 

 

Resposta:

 [C]

A função do soberano é assegurar que todos respeitem o contrato social e, dessa forma, garantir a vontade de todos que é a paz e a segurança individual. Para desempenhar bem esta função, o soberano deve exercer um poder absoluto, sem estar subordinado a ninguém; e nem mesmo a uma Carta Magna. Se o poder soberano não conseguir realizar o interesse de todos, isto é, a obediência de todos ao contrato social, pode vir a ser deposto por uma rebelião. Concluir-se-á, nesse caso, que o soberano não era legítimo.

 

 

 

 

23. (Ufsj 2011) Sobre a ideia de soberania concebida por Hobbes, é CORRETO afirmar que a soberania:

a) “se dá por meio do sufrágio universal, seja na república ou na monarquia”.

b) “é a manifestação da virtù como condição indispensável no governo do príncipe”.

c) “reside em um homem ou em uma assembleia de mais de um”.

d) “é a realização plena da paz perpétua entre as nações”.

 

Resposta:

 [C]

A soberania, segundo Hobbes, é constituída mediante o contrato, através do qual cada homem renuncia à sua liberdade natural e transfere o seu poder de ao soberano. Este pode ser ou um homem ou uma assembleia, e adquire o direito exclusivo do uso da força e a função de proteger seus súditos da morte, sobretudo da morte violenta.

 

 

 

 

24. (Ufsj 2011) Existe um domínio do Estado que, para Hobbes, pode ser um Estado por aquisição. Com relação a tal Estado, é CORRETO afirmar que ele é aquele:

a) “que foi adquirido pela força dos poderes executivo, legislativo e judiciário”.

b) “herdado por um movimento revolucionário”.

c) “assumido por herança quando o costume é que o parente mais próximo seja o sucessor absoluto”.

d) “em que o poder soberano foi adquirido pela força”.

 

Resposta:

 [D]

Segundo Hobbes, o poder do Estado pode ser adquirido de duas formas: por aquisição ou por instituição. Um Estado por instituição é aquele em que os homens aceitam, voluntariamente, se submeter ao soberano. Já o Estado por aquisição ocorre através do uso da força do soberano, capaz de aniquilar aqueles que a ele se opõem.

 

 

 

 

25. (Uel 2011) Leia o texto a seguir.

Que seja, portanto, ele a considerar-se a si mesmo, que quando empreende uma viagem se arma e procura ir bem acompanhado; que quando vai dormir fecha suas portas; que mesmo quando está em casa tranca seus cofres; e isso mesmo sabendo que existem leis e funcionários públicos armados, prontos a vingar qualquer injúria que lhe possa ser feita.

(HOBBES. Leviatã. Trad. J. P. Monteiro e M. B. N. da Silva. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p. 80.)

O texto de Hobbes diverge de uma ideia central da filosofia política de Aristóteles.

Assinale a alternativa que identifica essa ideia aristotélica.

a) É inerente à condição humana viver segundo as condições adversas do estado de natureza.

b) A sociabilidade se configura como natural aos seres humanos.

c) Os homens, no estado civil, perdem a bondade originária do homem natural.

d) A insociável sociabilidade é característica imanente às ações humanas.

e) O Estado é incapaz de prover a segurança dos súditos.

 

 

Resposta:

 [B]

Hobbes é um filósofo contratualista e como tal, parte da análise do homem em estado de natureza, ou seja, antes de qualquer sociabilidade, quando por hipótese, desfruta de todas as coisas, realiza seus desejos e é dono de um poder ilimitado. No estado de natureza tudo é de direito do homem, pois a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria natureza, ou seja, de sua vida.

 

 

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