Questões dissertativas sobre filosofia Antiga – Pré-socráticos, Sofistas, Sócrates, Platão e Aristóteles – QUESTÕES DE VESTIBULAR

1. (Ufu 2015)  Há um abismo imenso que separa esta escala de valores que Sócrates proclama com tanta evidência e a escala popular vigente entre os gregos e expressa na famosa canção báquica antiga:

O bem supremo do mortal é a saúde;

O segundo, a formosura do corpo;

O terceiro, uma fortuna adquirida sem mácula;

O quarto, desfrutar entre amigos o esplendor da juventude.

JAEGER, W. Paideia. São Paulo: Martins Fontes, 1995, pp. 528-529.

Responda:

a) O que é o homem para Sócrates?

b) Qual é a relação entre o que define o homem e a máxima délfica “Conhece-te a ti mesmo”?

 

 

2. (Unesp 2014)

Texto 1

A verdade é esta: a cidade onde os que devem mandar são os menos apressados pela busca do poder é a mais bem governada e menos sujeita a revoltas, e aquela onde os chefes revelam disposições contrárias está ela mesma numa situação contrária. Certamente, no Estado bem governado só mandarão os que são verdadeiramente ricos, não de ouro, mas dessa riqueza de que o homem tem necessidade para ser feliz: uma vida virtuosa e sábia.

(Platão. A República, 2000. Adaptado.)

Texto 2

Um príncipe prudente não pode e nem deve manter a palavra dada quando isso lhe é nocivo e quando aquilo que a determinou não mais exista. Fossem os homens todos bons, esse preceito seria mau. Mas, uma vez que são pérfidos e que não a manteriam a teu respeito, também não te vejas obrigado a cumpri-la para com eles. Nunca, aos príncipes, faltaram motivos para dissimular quebra da fé jurada.

(Maquiavel. O Príncipe, 2000. Adaptado.)

Comente as diferenças entre os dois textos no que se refere à necessidade de virtudes pessoais para o governante de um Estado.

 

 

3. (Ufu 2013)  Existe uma só sabedoria: reconhecer a inteligência que governa todas as coisas por meio de todas as coisas.

Heráclito, Diels-Kranz, Frag. 41.

Por isso é necessário seguir o que é igual para todos, ou seja, o que é comum. De fato, o que é igual para todos coincide com o que é comum. Mas ainda que o logos seja igual para todos, a maior parte dos homens vive como se possuísse dele um conhecimento próprio.

Heráclito, Diels-Kranz, Frag. 2.

Com base nos textos acima e em seus conhecimentos sobre a filosofia heraclitiana, responda:

a) O que é o logos ao qual o filósofo se refere?

b) Explicite a relação existente entre o logos e a inteligência, tal como encontrados nos fragmentos supracitados.

 

 

4. (Unesp 2013)  Do lado oposto da caverna, Platão situa uma fogueira – fonte da luz de onde se projetam as sombras – e alguns homens que carregam objetos por cima de um muro, como num teatro de fantoches, e são desses objetos as sombras que se projetam no fundo da caverna e as vozes desses homens que os prisioneiros atribuem às sombras. Temos um efeito como num cinema em que olhamos para a tela e não prestamos atenção ao projetor nem às caixas de som, mas percebemos o som como proveniente das figuras na tela.

(Danilo Marcondes. Iniciação à história da filosofia, 2001.)

Explique o significado filosófico da Alegoria da Caverna de Platão, comentando sua importância para a distinção entre aparência e essência.

 

5. (Uel 2013)  Observe a charge a seguir.

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Após descrever a alegoria da caverna, na obra A República, Platão faz a seguinte afirmação:

Com efeito, uma vez habituados, sereis mil vezes melhores do que os que lá estão e reconhecereis cada imagem, o que ela é e o que representa, devido a terdes contemplado a verdade relativa ao belo, ao justo e ao bom. E assim teremos uma cidade para nós e para vós, que é uma realidade, e não um sonho, como atualmente sucede na maioria delas, onde combatem por sombras uns com os outros e disputam o poder, como se ele fosse um grande bem.

(PLATÃO. A República. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1994. p.326.)

a) Segundo a alegoria da caverna de Platão e com base nessa afirmação, explique o modelo político que configura a organização da cidade ideal.

b) Compare a alegoria da caverna e a charge, e explicite o que representa, do ponto de vista político, a saída do homem da caverna e a contemplação do bem.

 

 

6. (Ufu 2012)  Leia os textos abaixo, extraídos da obra A República de Platão.

— Acaso não seria uma defesa adequada dizermos que aquele que verdadeiramente gosta de saber tem uma disposição natural para lutar pelo Ser, e não se detém em cada um dos muitos aspectos particulares que existem na aparência, mas prossegue sem desfalecer nem desistir da sua paixão, antes de atingir a natureza de cada Ser em si, pela parte da alma à qual é dado atingi-lo – pois a sua origem é a mesma –; depois de se aproximar e de se unir ao Verdadeiro, poderá alcançar o saber e viver e alimentar-se de verdade, e assim cessar o seu sofrimento; antes disso, não? (República, 490b)

— Da mesma maneira, quando alguém tenta, por meio da dialética, sem se servir dos sentidos e só pela razão, alcançar a essência de cada coisa, e não desiste antes de ter apreendido só pela inteligência a essência do bem, chega aos limites do inteligível, tal como aquele chega então aos do visível. (República, 532 a-b)

PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996.

Com base nos textos e na doutrina de Platão, responda:

a) Qual método pode levar o homem a atingir a essência de cada coisa – a natureza de cada Ser em si – para além da realidade visível, que se atinge pelos sentidos?

b) O filósofo se refere a uma realidade à qual se chega apenas pela inteligência. Que realidade é essa? Cite ao menos três características compositivas desta realidade, de acordo com a filosofia de Platão.

 

 

7. (Unesp 2011)  Leia o texto, extraído do livro VII da obra magna de Platão (A República), que se refere ao célebre mito da caverna e seu significado no pensamento platônico.

Agora, meu caro Glauco – continuei – cumpre aplicar ponto por ponto esta imagem ao que dissemos, comparar o mundo que a visão nos revela à morada da prisão e a luz do fogo que a ilumina ao poder do sol. No que se refere à subida à região superior e à contemplação de seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma ao lugar inteligível, não te enganarás sobre o meu pensamento, posto que também desejas conhecê-lo. Quanto a mim, tal é minha opinião: no mundo inteligível, a ideia do bem é percebida por último e a custo, mas não se pode percebê-la sem concluir que é a causa de tudo quanto há de direto e belo em todas as coisas; e que é preciso vê-la para conduzir-se com sabedoria na vida particular e na vida pública.

(Platão. A República, texto escrito em V a.C. Adaptado.)

Explique o significado filosófico da oposição entre as sombras no ambiente da caverna e a luz do sol.

 

 

8. (Unesp 2010)  Em 399 a.C., o filósofo Sócrates é acusado de graves crimes por alguns cidadãos atenienses. (…) Em seu julgamento, segundo as práticas da época, diante de um júri de 501 cidadãos, o filósofo apresenta um longo discurso, sua apologia ou defesa, em que, no entanto, longe de se defender objetivamente das acusações, ironiza seus acusadores, assume as acusações, dizendo-se coerente com o que ensinava, e recusa a declarar-se inocente ou pedir uma pena. Com isso, ao júri, tendo que optar pela acusação ou pela defesa, só restou como alternativa a condenação do filósofo à morte.

(Danilo Marcondes. Iniciação à História da Filosofia, 1998. Adaptado.)

Com base no texto apresentado, explique quais foram os motivos da condenação de Sócrates à morte.

 

9. (Uff 2009)

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Na célebre pintura A escola de Atenas, o artista renascentista italiano Rafael reuniu os principais nomes da filosofia grega, tendo ao centro do quadro as figuras de Platão e de Aristóteles. Na figura, Platão aponta com sua mão para o alto e Aristóteles aponta para baixo. Deste modo, com estes gestos, Rafael estava ilustrando a distinção entre a filosofia de Platão e a filosofia de Aristóteles.

Indique e discorre sobre a principal diferença entre a filosofia de Platão e a de Aristóteles.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

No livro VII de A República, Platão apresenta a passagem conhecida por “Alegoria da Caverna”. Platão usa essa alegoria para representar o processo correto de educação do ser humano. Leia o seguinte trecho da República no qual o personagem Sócrates fala àqueles que foram educados corretamente:

Mas a vós, nós formamos-vos, para vosso bem e do resto da cidade, para serdes como os chefes e os reis nos enxames de abelhas, depois de vos termos dado uma educação melhor e mais completa do que a deles, e de vos tornarmos mais capazes de tomar parte em ambas as atividades. Deve, portanto, cada um por sua vez descer à habitação comum dos outros e habituar-se a observar as trevas. Com efeito, uma vez habituados, sereis mil vezes melhores do que os que lá estão e reconhecereis cada imagem, o que ela é e o que representa, devido a terdes contemplado a verdade relativa ao belo, ao justo e ao bom. E assim teremos uma cidade para nós e para vós, que é uma realidade, e não um sonho, como atualmente sucede na maioria delas, onde combatem por sombras uns com os outros e disputam o poder, como se ele fosse um grande bem. Mas a verdade é esta: na cidade em que os que têm de governar são os menos empenhados em ter o comando, essa mesma é forçoso que seja a melhor e mais pacificamente administrada, e naquela em que os que detêm o poder fazem o inverso, sucederá o contrário.

(PLATÃO, A República, Livro VII, 520 b – d)

 

 

10. (Ufpr 2008)  Por que, de acordo com o personagem Sócrates, aqueles que receberam a educação proposta na República devem governar?

 

 

11. (Ufpr 2007)  No livro VII de A República, Platão descreve o que ficou conhecido como a “alegoria da caverna”. Nela, é narrada a libertação de um prisioneiro e sua saída do interior da caverna, isto é, do mundo das sombras, para a superfície, onde brilha a luz do sol.

Com base nas informações acima e em conhecimentos do livro VII de A República, explique as seguintes imagens usadas por Platão:

a) o interior da caverna

b) o mundo da superfície

 

 

12. (Udesc 2006)  Na Grécia antiga, antes da filosofia clássica (século V a.C.), o pensamento filosófico era dominado pelos pré-socráticos, que foram os primeiros filósofos e tiveram a função de romper com a mitologia, criando assim a Filosofia.

Quais eram as principais preocupações desses filósofos?

 

 

13. (Ufu 2003)  “Vou explicar-me, e não será argumento sem valor, a saber: que nenhuma coisa é una em si mesma e que não há o que possas denominar com acerto ou dizer como é constituída. Se a qualificares como grande, ela parecerá também pequena; se pesada, leve, e assim em tudo o mais, de forma que nada é uno, ou algo determinado ou como quer que seja. Da translação das coisas, do movimento e da mistura de umas com as outras é que se forma tudo o que dizemos existir, sem usarmos a expressão correta, pois em rigor nada é ou existe, tudo devém. Sobre isso, com exceção de Parmênides, todos os sábios (…) estão de acordo: Protágoras, Heráclito e Empédocles (…)”.

Platão. Teeteto. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2001, p. 50.

Tendo em vista o trecho de Platão citado acima, explique, a partir da distinção entre o uno de Parmênides e o devir de Heráclito, por que no mobilismo nada é e por que para Parmênides apenas o Ser é.

 

 

14. (Ufu 2001)  “Fica sabendo que o que transmite verdade aos objetos que podem ser conhecidos e dá ao sujeito que conhece esse poder, é a ideia do bem. Entende que é ela a causa do saber e da verdade, na medida em que esta é conhecida, mas, sendo ambos assim belos, o saber e a verdade, terás razão em pensar que há algo de mais belo ainda do que eles. E, tal como se pode pensar corretamente que neste mundo a luz e a vista são semelhantes ao sol, mas já não é certa tomá-las como pelo sol, da mesma maneira, no outro, é correto considerar a ciência e a verdade, ambas elas semelhantes ao bem, mas não está certo tomá-las, a uma ou a outra, pelo bem, mas sim formar um conceito mais elevado do que seja o bem.”

(Platão. A República, 5. ed, tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. Porto: Fundação Calouste Gulbenkian, 1987. 508e – 509a)

A partir da análise do trecho acima pergunta-se: para Platão a verdade do conhecimento necessita ou não de uma norma superior? Justifique a resposta explicando a analogia que Platão estabelece entre o inteligível e o sensível.

 

 

15. (Ufu 1998)  “Tudo flui (panta rei), nada persiste, nem permanece o mesmo”.

(Heráclito – Fragmentos – Col. Os Pensadores)

Explique, segundo Heráclito, os pressupostos fundamentais da concepção da realidade.

 

 

 

 

 

Gabarito:  

 

1: a) O homem para Sócrates é entendido como um ser dotado de uma alma, sendo que sua alma é o que lhe confere diferenciação entre todas as outras coisas. O corpo para Sócrates representa um instrumento pelo qual utilizamos para promover o enobrecimento desta alma, por meio de nossas ações, portanto deve possuir saúde e harmonia física e ser capaz de possuir condições para desempenhar funções na cidade que se revertam em condições materiais que garantam o seu sustento. A inteligência é o instrumento da alma e tem por finalidade promover condições para o homem aprimorar-se, a reflexão. Desta forma, o homem deve buscar ampliar seu conhecimento, controlar suas emoções, desenvolver suas potencialidades agindo por meio da conduta virtuosa. A reflexão realiza a união entre a reflexão e a ação virtuosa, com isto ocorre o aprimoramento moral que aperfeiçoa o caráter e enobrece a alma.

 

b) Sócrates expõe em sua filosofia que o homem somente pode cuidar de si na medida em que conhece sua própria natureza. Para isto o homem deve buscar na ciência (conhecimento) a capacidade de refletir para poder desenvolver-se em plenitude. Uma vez posta em ação o conhecimento de si, o homem pode então partir para a ação refletida, ou seja, uma vez que o homem possui conhecimento de sua essência ele pode então melhorar sua vida através da ação virtuosa na qual ocorre a coerência entre a reflexão e a ação, produzindo um melhor estado de vida. Por meio do próprio conhecimento o homem é capaz de conhecer seu semelhante e com isto é capaz de agir corretamente no intuito de buscar a verdade em todas as ações que realiza. Com este autoconhecimento de si e dos outros, o homem pode atingir a verdadeira felicidade.

 

2: No texto 1 Platão desenvolve a tese de que cidade seria melhor administrada pelo “Filósofo Rei”, nesta teoria desenvolvida no livro “A República” o filósofo é o melhor administrador por ser aquele que possui conhecimento da “verdade” que se identifica com o Bom, o Bem e o Belo que residem no Mundo das Ideias. Ele (Filósofo Rei) seria o único capaz de guiar os habitantes da cidade na busca do melhor desenvolvimento de cada um segundo suas aptidões naturais, ou seja, o bem que reside dentro de cada indivíduo pode ser alcançado e permitir uma vida feliz a todos. A virtude do governante centra-se na busca da concretização do bem a todos os habitantes da cidade. Não sendo o filósofo guiado por interesses particulares, ele se torna o administrador ideal para a cidade. Já no texto 2, Nicolau Maquiavel, em seu livro “O Príncipe”, desenvolve uma tese que rompe com lógica estabelecida entre ética e poder. Seu pressuposto de que os homens são maus, faz com que o príncipe deve buscar manter o poder mediante estratégias que não possuem ligação com o comportamento virtuoso. Elementos como virtú (entendida como impetuosidade, coragem) e fortuna (entendida como ventura, oportunidade), somado a um conhecimento da moralidade dos homens, são recursos que permitem ao governante agir de modo calculado, não objetivando o desenvolvimento de uma bondade natural nos homens como acredita Platão, mas tendo como foco a condução dos homens rumo a uma melhor condição de vida que não siga necessariamente o caminho da virtude enquanto retidão moral.  

 

3: a) O logos, no pensamento de Heráclito, é o princípio, ou seja, é o mundo como devir eterno, é a guerra entre os contrários que possuem em si mesmos a existência própria e do oposto, é a unidade da multiplicidade na qual “tudo é um”, é o fogo, é o conhecimento verdadeiro. O logos é a exposição de um único mundo comum a todos.

 

b) O logos possui no seu sentido comum um caráter contingente, quer dizer, qualquer homem é capaz de construir uma narrativa, um discurso sobre o mundo. E Heráclito diz que o mais o corriqueiro é exatamente a construção arbitrária e parcial disto que antes de tudo deveria ser comum. Ele, então, alerta sobre a necessidade de que o logos não seja exposto sem que antes haja o reconhecimento da inteligência que torna isto aparentemente diverso em algo unido sob um único governo, a saber, o logos

 

4: A Alegoria da Caverna quer dizer, utilizando uma imagem fictícia, como era a realidade da cidade de Atenas ou de todas as cidades. Tal realidade é que os homens vivem suas vidas encantados com imagens, ou seja, eles vivem suas vidas encantados com aquilo que mantém apenas a aparência da realidade. Não apenas o homem está nessa situação de enfeitiçado, porém ele também está preso impedido de chacoalhar para fora dessa situação. O filósofo é quem consegue se livrar do feitiço e depois quebrar os grilhões que o impedem de sair desse estado. É fundamental, segundo a alegoria, realizar esse movimento para fora da caverna para conceber que a aparência explicitada pelas imagens não revela muito sobre a verdade descoberta sob a luz existente fora da caverna. A aparência é apenas um simulacro produzido na caverna, a essência é uma descoberta feita livre do confinamento neste antro que os homens vivem, chamado “cidade”.  

 

5: a) Platão dedica a obra República para criar a cidade ideal, isto a fim de demonstrar o que é a justiça e se a vida justa é mais feliz que a injusta. O filósofo rejeita as cidades existentes como modelos de cidades justas, pois as aparências não são suficientes para definir o que algo é em si mesmo. Então, para vislumbrar o que é a justiça, antes necessitamos enxergar o conceito de maneira ampliada, isto é, na cidade ideal e depois de maneira diminuta na alma do indivíduo. A cidade justa de Platão contempla trabalhadores, soldados e governantes realizando as funções para as quais estão mais aptos naturalmente. E assim como na cidade platônica é o filósofo quem governa, no indivíduo é a razão que o guia.

b) Na charge os personagens estão presos por correntes ao televisor, na alegoria os homens estão presos à caverna. Assim como na TV a realidade é forjada pelos programas, a realidade era forjada dentro da caverna por alguns homens livres dos grilhões. Os homens nos dois casos, as sombras são tidas como verdadeiras, porém quando libertos, eles passam a enxergar a realidade mesma. Essa saída indica a possibilidade de autonomia. No âmbito político, representa a possibilidade do exercício do governo à luz da justiça e o afastamento das formas de dominação.

 

6: a) O método em questão é a dialética. É por meio dela, afirma Platão, que o filósofo pode atingir a Ideia, ou a realidade inteligível. A dialética leva o filósofo para além dos aspectos particulares do mundo visível. Vale dizer que, com frequência, Platão se refere ao filósofo como “dialético”, isto é, como aquele que detém a arte (ou domina o método) que leva das aparências à essência.

b) Trata-se da realidade inteligível (mundo das Ideias, das Formas), na qual se encontram as essências, o Ser de cada coisa existente. Uma realidade alcançável apenas pelos “olhos da alma”, pois é observado apenas pelo esforço da razão. Exatamente por ser inteligível, essa realidade tem como características: ser metafísica, isto é, imaterial, ou incorpórea; ser una, isto é, reduz a multiplicidade das coisas sensíveis a uma unidade; ser eterna, por não se submeter ao ciclo de geração e degeneração das coisas do mundo sensível.

 

7: Nós estamos diante de um trecho que compõe um dos mais famosos da história da filosofia e cujas tarefas, as do filósofo, estão delineadas em forma de alegoria. A primeira tarefa a ser entendida é que a caverna é o nosso mundo, o mundo onde esquecemos de tudo – supõe Platão – enquanto todos nós já tivéssemos vivido como puro espírito contemplando o mundo das ideias. Pela teoria da reminiscência, Platão explica como os sentidos correspondem a uma ocasião para despertar nas almas as lembranças adormecidas. Deste modo, a sombra significa o amor pela doxa (amor pela opinião), pelas opiniões que existem no mundo das sombras, de onde os acorrentados ainda não tiveram capacidade de se libertarem. Quanto à luz do sol, é exatamente o oposto, uma vez que já libertos das correntes, ao contemplar fora da caverna a verdadeira realidade passa da opinião à ciência, ou melhor, ao amor pela filosofia. Ao que vê a luz do Sol, cabe, segundo Platão, ensinar e governar. Trata-se da ação política, da transformação dos homens em sociedade, desde que as mesmas estejam voltadas para a contemplação do modelo do mundo das ideias.  

 

8: É importante, antes de mencionar os motivos pelos quais condenaram Sócrates à morte, dizer que quando falava, era dono de um estranho fascínio. Requisitado por muitos jovens, passava horas discutindo na praça pública, assim, interpelava a todos assumindo ser ignorante e fazia perguntas aos que julgavam entender sobre um determinado assunto colocando qualquer um em tal situação que não havia um outro jeito a não ser reconhecer sua própria ignorância. Com isso Sócrates além de discípulos, conseguiu inúmeros inimigos. Sócrates foi acusado de corromper a mocidade e desconhecer os deuses da cidade, por isto, foi condenado à morte. A história de sua condenação, defesa e morte é contada num dos mais belos diálogos de Platão, Apologia de Sócrates.  

 

9: Platão e Aristóteles são considerados os dois principais filósofos gregos. Os dois apresentam inúmeras diferenças entre si, sendo as principais relacionadas à forma de conhecimento. Ainda que façam a separação entre o conhecimento sensível e o intelectual, Platão busca a verdade em um mundo ideal, enquanto que Aristóteles a busca no mundo material, não fazendo a distinção entre os dois mundos. É por isso que, na pintura de Rafael, Platão aponta o dedo para cima (para o mundo das ideias) e Aristóteles faz referência para baixo (para o mundo material).  

 

10: Na “Alegoria da Caverna”, Platão refere-se à figura do filósofo como aquele responsável por tirar os homens das sombras e trazê-los à luz. Isso significa fazê-los conhecer a verdade do mundo das ideias, o que só pode acontecer por meio da filosofia. A educação proposta na República acompanha o mesmo caminho: os jovens devem ser educados no exercício da filosofia e da virtude para saírem das sombras. Somente assim poderão conhecer as ideias verdadeiras e o Sumo Bem, podendo, portanto, guiar uma cidade da maneira justa.  

 

11: a) O interior da caverna corresponde ao mundo material sensível, das imagens e opiniões falsas que os homens conhecem. Corresponde a uma cópia imperfeita do mundo das ideias.

b) O mundo da superfície corresponde ao mundo das ideias, o mundo inteligível, onde existem as essências. É este o mundo que o filósofo chega a conhecer mediante a atividade filosófica.

 

12: Pode-se dizer que no período pré-socrático as principais preocupações dos filósofos eram em relação à origem do mundo, das causas de transformação da natureza e, por extensão, da origem e transformação dos seres humanos. Não é por acaso que esse período é também chamado de período cosmológico.  

 

13: O mobilismo de Heráclito é baseado na ideia do mundo como um eterno devir e no equilíbrio de contrários. Nesse sentido, o mundo é visto como estando em constante mudança entre aquilo que é e o seu contrário, ou seja, aquilo que não é.  Em contraposição, Parmênides considera que o ser é uno, imutável e eterno. Isso porque se o ser fosse algo diferente daquilo que é, ele seria um não ser. Esse “não ser” é impossível na acepção de Parmênides, dado que o ser será sempre uno.  

 

14: O texto nos faz perceber que, segundo Platão, a verdade do conhecimento necessita de uma norma superior, que é o Bem. Platão explica essa concepção fazendo uma analogia com o mundo sensível. Uma vez que a luz e a vista são semelhantes ao sol, mas não é o sol, da mesma forma, no mundo inteligível, a verdade do conhecimento é semelhante ao bem, mas não é o próprio bem, que lhes é superior.   

 

15: Alguns fragmentos expõem o caráter enigmático do pensamento de Heráclito e as suas teses mais conhecidas, a saber: 1) o mundo como eterno devir; 2) a luta dos contrários e a unidade na multiplicidade; e 3) o fogo como elemento primordial, como princípio organizador da natureza.

 

1) “Não podemos entrar duas vezes no mesmo rio: suas águas não são nunca as mesmas e nós não somos nunca os mesmos”.

2) “A guerra é o pai e o rei de todas as coisas”. “É necessário saber que a guerra é a comunidade; a justiça é discórdia; e tudo acontece conforme a discórdia e a necessidade”. “Tudo é um”.

3) “Este mundo, o mesmo e comum para todos, nenhum dos deuses e nenhum homem o fez; mas era, é e será um fogo sempre vivo, acendendo-se e apagando-se conforme a medida”.   

 

 

Linha do Tempo – Filosofia

linha do tempo de filosofia - fabio mesquita