Asiatic Researches – Primeiros volumes

1o. volume, publicado em 1788:

asiatic_researches-volume-1-1798

2o. volume, publicado em 1790:

asiatic_researches-volume-2-1790

3o. volume, publicado em 1793:

asiatic-researches-volume-3-1807-5-edicao

4o. volume, publicado em 1795:

asiatic_researches-volume-4-1798

5o. volume, publicado em 1797:

asiatic_researches-volume-5-1799

6o. volume, publicado em 1799:

asiatic-researches-volume-6-1801

7o. volume, publicado em 1802:

asiatic-researches-volume-7-1803

8o. volume, publicado em 1805:

Asiatic_Researches – volume 8 – 1805

9o. volume, publicado em 1807:

asiatick-researches-volume-9-1809

 

Estética em Schopenhauer

Só que, para além dos fenômenos, e aqui Schopenhauer resgata uma realidade para além do sonho, pode-se encontrar outro tipo de representação, independente do princípio de razão e que, em verdade, é o núcleo dos objetos. Trata-se das Idéias. O conhecimento destas não se liga mais ao indivíduo, mas aí se isola o objeto da torrente fugidia dos fenômenos, daquela ilusão onírica que os envolve e, por um corte vertical na horizontalidade fenomênica, é-se elevado à sua espécie, ao seu arquétipo. Nesse instante desaparecem o indivíduo e o princípio de razão. O sujeito contempla puramente os arquétipos da natureza e se desfaz neles. Há uma identidade sujeito-objeto. O conhecimento destemporaliza-se e atinge o que há de mais nuclear nas coisas. De modo privilegiado isso ocorre na arte, “exposição de Idéias”.

Importante aqui é sublinhar que aquele sujeito da teoria do conhecimento, uno e indiviso nos fenômenos, é o que agora, puramente, correlaciona-se com as representações independentes do princípio da razão. Nesse “estado estético”, estabelecido por uma “ocasião externa” ou uma “disposição interna”, ocorre uma supressão da individualidade e de “um só golpe” puro sujeito do conhecimento e Idéia ocupam a consciência, expulsando desta o princípio de razão e seu correlato, o fenômeno. O puro sujeito do conhecimento cessa por momentos de ver turvadamente pela finitude, pelo tempo, e passa a ver sub specie aeterni, do ponto de vista da eternidade. Desaparecem os limites tão marcantes entre sujeito e objeto quando da consideração empírica da natureza. A gente, diz Schopenhauer, “se perde” completamente no objeto, esquece da própria individualidade e permanece como puro sujeito, “claro espelho do objeto”, não se podendo mais separar aquele que intui, da intuição. O que é conhecido nesse instante não é a coisa isolada, o fenômeno, mas a sua Idéia; não o seu “como” (onde, por que, para que) mas o seu “quê”. O olho que vê não é o de um particular, mas o “claro olho cósmico”. Todo o poder do espírito é “devotado à intuição e nos afunda por completo” nela. A consciência inteira é preenchida pela calma contemplação do objeto: um quadro, uma paisagem, uma árvore, um penhasco, uma construção ou outra coisa qualquer .

O sujeito do conhecimento, portanto, livra-se do princípio de razão, da finitude que turva a sua visão cristalina e considera o próprio conteúdo do princípio de razão, dos fenômenos. Fá-lo na bela natureza ou na bela arte.

No fundo, tem-se nessa intuição estética um modo de conhecimento que se contrapõe ao científico, que segue sempre o princípio de razão, enquanto o modo estético é independente do princípio de razão. Aquele segue a torrente infinda de fundamento a conseqüência; de cada fim alcançado é remetido a outro, sem nunca alcançar um repouso, “tão pouco quanto, correndo, pode-se alcançar o ponto onde as nuvens tocam a linha do horizonte”; é um modo de conhecimento instrumental e racional a serviço das vontade e dos interesses humanos, que torna a natureza um objeto de manipulação para satisfazer desejos os mais variados e muitas vezes estranhos e gratuitos. Já o modo de conhecimento estético, independente do princípio de razão, faz a pessoa desinteressar-se pelo objeto, num estado de pura contemplação. É o modo de conhecimento que vale nas artes e na fruição da natureza, ao retirar o objeto considerado da torrente fugidia da necessidade fenomênica e isolá-lo como representante de sua espécie. “A roda do tempo pára. As relações desaparecem”. Permanece apenas o essencial das coisas. É indiferente os olhos de quem vê, se de um mendigo ou de um rei. É indiferente o lugar de onde se contempla, se um castelo ou uma prisão.

Quem se absorve em tal estado estético pode depois, com uma técnica escolhida, comunicar sua vivência em forma de obra de arte e assim emprestar seus olhos aos espectador.

Podemos, por conseguinte, definir a arte COMO O MODO DE CONSIDERAÇÃO DAS COISAS INDEPENDENTE DO PRINCíPIO DE RAZÃO, oposto justamente à consideração que o segue, que é o caminho da experiência e da ciência. Este último tipo de consideração é comparável a uma linha infinita que corre horizontalmente; o primeiro, por sua vez, a uma linha vertical que corta a outra linha num ponto qualquer. O modo de consideração que segue o princípio de razão é o racional, único que vale e ajuda na vida prática e na ciência; já o modo que prescinde do conteúdo deste princípio é o genial, único que vale e ajuda na arte. O primeiro é o modo de consideração de Aristóteles, o segundo é no todo o de Platão. (Schopenhauer, 2005, p.254)

Pode-se, por conseguinte, concluir dessas linhas o poder crítico da estética schopenhauereana à soberania do logos científico, pois o que Schopenhauer aponta é que há outro modo de conhecer o mundo, que não segue necessariamente a razão, mas a intuição estética e que, em termos metafísicos, satisfaz mais a quem conhece pois é um modo que opera um corte vertical na cadeia horizontal dos objetos condicionados, tornando-se uma “decifração do enigma do mundo”. É uma intuição que atravessa o Véu de Maia dos fenômenos e deixa o espectador ver o íntimo da natureza, logo, o “quê” do “como” do mundo; indizível nele mesmo, mas que se mostra na experiência do belo ao claro olho cósmico. Trata-se aí ao mesmo tempo do olhar místico para o cosmo, de uma experiência de totalidade que não pode ser negada por todos aqueles que se aprofundaram na fruição do belo, de forma que a racionalidade científica é colocada em claros limites em suas pretensões de dizer o sentido do mundo. O sentido do mundo é indizível, é inefável, apreensível apenas na experiência mística, que não pode ser comunicada, nem mesmo pelo filósofo, mas somente vivenciada. No fundo, o filósofo nos interroga sobre se de fato alguma vez experienciamos em toda a sua magnitude uma autêntica obra da arte ou da natureza. Se o fizemos, sabemos que o enigma do mundo não se resolve pelo princípio de razão, mas numa mirada unitotal e não verbalizável do claro olho cósmico.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732006000200004

Schopenhauer – Vestibular

1. O conceito representação na filosofia de Schopenhauer significa:

a) a forma que o homem se espelha no mundo, vejo aquilo que quero ver, ouço aquilo que quero ouvir.

b) a forma que o homem se relaciona com o mundo, utilizando-se de valores e moral.

c) a forma que o homem é capaz de representar o mundo por intermédio de seus sentidos e intelecto.

d) essência do mundo, solução para o enigma do universo.

e) essência do mundo, a coisa em si que Kant tanto problematizava.

2.O conceito vontade para Schopenhauer significa:

a) querer inconsciente de todos pela preservação do outro.

b) querer consciente de todos pela sobrevivência.

c) essência do mundo, amor, ódio e salvação.

d) essência do mundo, a coisa em si kantiana, percebida imediatamente pela contemplação estética do mundo e dos objetos.

e) essência do mundo, a coisa em si kantiana, percebida imediatamente por intermédio de meu próprio corpo.

3. De acordo com a filosofia de Schopenhauer, a vontade se manifesta no ser humano a partir:

a) de seu querer consciente do mundo.

b) de seu desejo de reprodução e seu instinto de sobrevivência.

c) de sua consciência imanente de si mesmo e do mundo.

d) da sua autopreservação, desvinculada da espécie.

e) da sua autopreservação e a morte de todos os membros de sua espécie, pois a vontade se manifesta enquanto luta de todos contra todos.

4. Pensamentos que influenciaram Schopenhauer foram:

a) Upanixades, Platão e Kant.

b) Platão, Aristóteles e Cristianismo.

c) Cristianismo, Ateísmo e Epicurismo.

d) Descartes, David Hume e Hegel.

e) Maquiavel, Marx e Freud.

5. O amor para Schopenhauer é:

a) é central em sua filosofia, pois explica a vontade objetivada nos seres humanos.

b) é central em sua filosofia, pois explica como representamos o mundo.

c) é secundário em sua filosofia, pois o pensamento e razão são manifestações mais profundas de nosso ser.

d) é secundário em sua filosofia, pois ocupa conotação sexual e depravada.

e) é central em sua filosofia, pois é manifestação da representação do mundo pelos sentidos.

Gabarito:

1 C

2  E

3 B

4 A

5 A