Apostilas de Filosofia Colégio São Luis – 3o. trimestre 2017

9o. ano:

Versão Word:Apostila 9o ano Filosofia – 2017 – 3o. trimestre

Versão PDF:Apostila 9o ano Filosofia – 2017 – 3o. trimestre

 

2a. série:

Versão Word:Apostial 2a. série 2017 – 3o. trimestre

Versão PDF:Apostial 2a. série 2017 – 3o. trimestre

 

3a. série:

Versão Word:Apostila3a serie Filosofia – 2017- 3o. trimestre

Versão PDF:Apostila3a serie Filosofia – 2017- 3o. trimestre

 

Liberdade de Expressão

“Se muitas pessoas se interessam pela liberdade de expressão, ela existirá mesmo que a lei proíba. Se o povo for inerte, minorias serão perseguidas, mesmo que a lei as proteja”. George Orwell.

Arquivo PDF contendo frases, imagens e mapas sobre liberdade de expressão, criado por Fábio Mesquita e Erick Mello. Clique no link ao lado para baixar o arquivo: liberdade de expressao

Prezados leitores, a partir do material presente nesse post, listei três posições comuns sobre o tema liberdade de expressão: 

1) Liberdade de expressão plena. Falar tudo o que se pensa, sem nenhuma restrição, tendo como limite último, discursos que não incitem a violência.

Aspectos positivos: há maior liberdade e um “possível desenvolvimento” da sociedade em conviver com o diferente. Todos os discursos são possíveis e podemos até classificá-los como fanáticos, irreflexivos, sem senso crítico, ideológico, racista, homofóbico etc. É dado o direito de falar tudo aquilo que se pensa, assim como, o de responder “a altura” os discursos que não concordamos. O diálogo/debate/discussão constante entre os membros da sociedade pode direcionar o povo para uma maior maturidade.

Aspectos negativos ou problemáticos: Relativização sobre aquilo que é violento ou não. A violência moral, a violência da palavra não se enquadram no modelo defendido pelos EUA. Para eles, a violência se restringe a violência física.

Os EUA defendem abertamente o direito de se exprimir, apesar de ser questionável, até que ponto, o povo estadunidense exerça tal direito. São vários os exemplos nos quais existiu punição para aqueles que defenderam abertamente suas ideologias, e isso, sem ter incitado a violência. Sugiro que assistam o documentário “Liberdade de Expressão nos EUA” (vídeo 6 – acima). Creio que o ponto mais problemático em defender essa ideia seja a desigualdade de direitos entre os membros que compõe a sociedade. Os grupos minoritários, excluídos ou que não tenham poder político, social, econômico e/ou intelectual estão expostos a serem violentados moralmente e fisicamente, sendo obrigados a ouvir discursos que os rebaixam e os desclassificam. Vidas são destruídas, discursos de ódio são proferidos, tudo em prol do direito de liberdade de expressão.   

2) Liberdade de expressão parcial. Existência de limites claros para se exprimir, sendo necessário ao mesmo tempo, assegurar a todos, igualdade de direitos e de deveres.

Aspectos positivos: Como vivemos em sociedades desiguais, grupos minoritários seriam protegidos pelo Estado. Racismo é crime no Brasil. Homofobia, creio eu, que dentro em breve, também será. Nesse sentido, aqueles que sofrem por não se adequarem a determinado padrão normativo teriam o apoio estatal em terem seus direitos assegurados.

Aspectos negativos: Não são claros quais os limites para a liberdade de expressão. Aqueles que defendem esse discurso acabam sendo intolerantes contra os intolerantes, algo que no meu ponto de vista, gera um novo problema.

Aqueles que não defendem a plena liberdade de expressão devem pensar sobre a intromissão e controle moral do Estado naquilo que se fala. O Estado como ser moralizador pode, em alguns momentos, manipular e controlar o povo para diversas posições. Em momentos de crise (política, econômica etc), é sabido que a liberdade de expressão é colocada em risco, e discursos moralizantes/castradores surgem excluindo grupos minoritários, problema que, aparentemente, só existia na postura de plena liberdade de expressão.

3) Liberdade de expressão inexistente. Total controle por aqueles que detêm o poder (governo, economia, religião etc). Tudo que é publicado, anunciado, noticiado etc passa pela censura. 

Aspectos positivos: Encontro certa dificuldade em pensar em aspectos positivos para esse tipo de postura. Os leitores podem dar contribuições. São bem vindas! 

Aspectos negativos: não ser livre, controle ideológico, manipulação, censura, punições por pensar diferente etc.

 

 

 

 
Textos – Liberdade de expressão

1) UNESCO – Liberdade de expressão no Brasil

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/communication-and-information/freedom-of-expression/

2) Embaixada dos EUA – Liberdade de Expressão

http://www.embaixada-americana.org.br/democracia/speech.htm

3) Eliane Brum – A boçalidade do mal

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/02/opinion/1425304702_871738.html

4) Eliane Brum – A doença de ser normal – Com medo da liberdade, preferimos aderir à manada

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI249779-15230,00.html

5) Tatiana de Mello Dias – “O discurso de ódio contra a mulher não é liberdade de expressão. É crime”.

http://www.brasilpost.com.br/2015/03/11/onu-violencia-contra-a-mu_n_6849534.html

6) Papa Francisco – Liberdade de expressão não dá o direito de insultar o próximo.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/01/liberdade-de-expressao-nao-da-o-direito-de-insultar-o-proximo-diz-papa.html

7) Anala Lelis Magalhães – O limite da liberdade de expressão: um enfoque filosófico diante do princípio do dano

http://ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=13787&revista_caderno=15

8) Pedro Geraldo Aparecido Novelli – A questão da liberdade de expressão em Hegel

http://www.uece.br/kalagatos/dmdocuments/A-questao-da-liberdade-de-expressao-em-Hegel.pdf

9) Ana Paula Repolês Torres – Pensando a liberdade de “expressão” com Hannah Arendt

http://seer.ufs.br/index.php/prometeus/article/view/792

10) Liberdade de Expressão – IAN MCEWAN – Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/205067-liberdade-de-expressao.shtml

11) Papa Francisco declara que há limites para a liberdade de expressão

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/01/papa-francisco-declara-que-ha-limites-para-liberdade-de-expressao.html

Vídeos – Liberdade de Expressão

1) Deirdre McCloskey – Liberdade de Expressão e o poder da Retórica

2) Abujamra – Provocações

3) Canal do Bom Senso – Je (ne) Suis (pas) Charlie – (Liberdade de Expressão X Censura)

4) Canal Saiba Disso! – Liberdade de Expressão – Saiba disso!

https://www.youtube.com/user/saibadissowalter

5) Carta Capital – Mini-documentário – Com Vladimir Safatle e Renato Janine Ribeiro

6) Documentário – Liberdade de Expressão nos EUA

7) Marilena Chaui – Liberdade de Expressão – diversos vídeos

8) Tudo é Ofensivo

O Existencialismo é um Humanismo

O Existencialismo é um Humanismo

Autor: Jean-Paul Sartre

Tradutora: Rita Correia Guedes
Fonte: L’Existentialisme est un Humanisme, Les Éditions Nagel, Paris, 1970.

Gostaria de defender, aqui, o existencialismo de uma série de críticas que lhe foram feitas.
Em primeiro lugar, acusaram-no de incitar as pessoas a permanecerem no imobilismo do desespero; todos os caminhos estando vedados, seria necessário concluir que a ação é totalmente impossível neste mundo; tal consideração desembocaria, portanto, numa filosofia contemplativa – o que, aliás, nos reconduz a uma filosofia burguesa, visto que a contemplação é um luxo. São estas, fundamentalmente, as críticas dos comunistas.
Por outro lado, acusaram-nos de enfatizar a ignomínia humana, de sublinhar o sórdido, o equívoco, o viscoso, e de negligenciar certo número de belezas radiosas, o lado luminoso da natureza humana; por exemplo, segundo a senhorita Mercier, crítica católica, esquecemos o sorriso da criança. Uns e outros nos acusam de haver negado a solidariedade humana, de considerar que o homem vive isolado; segundo os comunistas, isso se deve, em grande parte, ao fato de nós partirmos da pura subjetividade, ou seja, do penso cartesiano, ou seja ainda, do momento em que o homem se apreende em sua solidão – o que me tornaria incapaz de retornar, em seguida, à solidariedade com os homens que existem fora de mim e que eu não posso alcançar no cogito.
Na perspectiva cristã, somos acusados de negar a realidade e a seriedade dos empreendimentos humanos, já que, suprindo os mandamentos de Deus e os valores inscritos na eternidade, resta apenas a pura gratuidade; cada qual pode fazer o que quiser, sendo incapaz, a partir de seu ponto de vista, de condenar os pontos de vistas e os atos alheios. Tais são as várias acusações a que procuro hoje responder e a razão que me levou a intitular esta pequena exposição de: “O Existencialismo é um Humanismo”. Muitos poderão estranhar que falemos aqui de humanismo. Tentaremos explicitar em que sentido o entendemos. De qualquer modo, o que podemos desde já afirmar é que concebemos o existencialismo como uma doutrina que torna a vida humana possível e que, por outro lado, declara que toda verdade e toda ação implicam um meio e uma subjetividade humana. A crítica básica que nos fazem é, como se sabe, de enfatizarmos o lado negativo da vida humana. Contaram-me, recentemente, o caso de uma senhora que, tendo deixado escapar, por nervosismo, uma palavra vulgar, se desculpou dizendo: “Acho que estou ficando existencialista”. A feiura é, por conseguinte, assimilada ao existencialismo e é por isso que dizem sermos naturalistas. Se o somos, é estranho que assustemos e escandalizemos muito mais do que o naturalismo propriamente dito assusta ou escandaliza hoje em dia. Aqueles que digerem tranquilamente um romance de Zola, como A Terra, ficam repugnados quando leem um romance existencialista; outros, que se utilizam da sabedoria das nações – profundamente tristes –, acham-nos mais tristes ainda. Mas será que existe algo mais desesperançado do que o provérbio: “A caridade bem dirigida começa por si próprio”, ou “Ama quem te serve e serás desprezado; castiga quem te serve e serás amado”? São notórios os lugares-comuns que podem ser utilizados neste assunto e que significam sempre a mesma coisa: não se deve lutar contra os poderes estabelecidos, não se deve lutar contra a força, não se deve dar passos maiores do que as pernas, toda ação que não se insere numa tradição é romantismo, toda ação que não se apoia numa experiência comprovada está destinada ao fracasso; e a experiência mostra que os homens tendem sempre para o mais baixo e que são necessários freios sólidos para detê-los, caso contrário instala-se a anarquia. No entanto, as pessoas que ficam repetindo esses tristes provérbios são as mesmas que acham muito humano todo e qualquer ato mais ou menos repulsivo, as mesmas que se deleitam com canções realistas: são estas as pessoas que acusam o existencialismo de ser demasiado sombrio, a tal ponto que eu me pergunto se elas não o censuram, não tanto pelo seu pessimismo, mas, justamente pelo seu otimismo. Será que, no fundo, o que amedronta na doutrina que tentarei expor não é fato de que ela deixa uma possibilidade de escolha para o homem? Para sabê-lo, precisamos recolocar a questão no plano estritamente filosófico. O que é o existencialismo?
A maioria das pessoas que utilizam este termo ficaria bastante embaraçada se tivesse de justificá-lo: hoje em dia a palavra está na moda e qualquer um afirma sem hesitação que tal músico ou tal pintor é existencialista. Um cronista de Clartés assina o Existencialista. Na verdade, esta palavra assumiu atualmente uma amplitude tal e uma tal extensão que já não significa rigorosamente nada. Está parecendo que, na ausência de uma doutrina de vanguarda análoga ao surrealismo, as pessoas, ávidas de escândalo e de agitação, estão se voltando para esta filosofia, que, aliás, não pode ajudá-la em nada nesse campo; o existencialismo, na realidade, é a doutrina menos escandalosa e a mais austera; ela destina-se exclusivamente aos técnicos e aos filósofos. Todavia, pode ser facilmente definida. O que torna as coisas complicadas é a existência de dois tipos de existencialistas: por um lado, os cristãos – entre os quais colocarei Jaspers e Gabriel Marcel, de confissão católica – e, por outro, os ateus – entre os quais há que situar Heidegger, assim como os existencialistas franceses e eu mesmo. O que eles têm em comum é simplesmente o fato de todos considerarem que a existência precede a essência, ou, se se preferir, que é necessário partir da subjetividade. O que significa isso exatamente?
Consideremos um objeto fabricado, como, por exemplo, um livro ou um corta-papel; esse objeto foi fabricado por um artífice que se inspirou num conceito; tinha, como referencias, o conceito de corta-papel assim como determinada técnica de produção, que faz parte do conceito e que, no fundo, é uma receita. Desse modo, o corta-papel é, simultaneamente, um objeto que é produzido de certa maneira e que, por outro lado, tem uma utilidade definida: seria impossível imaginarmos um homem que produzisse um corta-papel sem saber para que tal objeto iria servir. Podemos assim afirmar que, no caso do corta-papel, a essência – ou seja, o conjunto das técnicas e das qualidades que permitem a sua produção e definição – precede a existência; e desse modo, também, a presença de tal corta-papel ou de tal livro na minha frente é determinada. Eis aqui uma visão técnica do mundo em função da qual podemos afirmar que a produção precede a existência.
Ao concebermos um Deus criador, identificamo-lo, na maioria das vezes, com um artífice superior, e, qualquer que seja a doutrina que considerarmos – quer se trate de uma doutrina como a de Descartes ou como a de Leibniz –, admitimos sempre que a vontade segue mais ou menos o entendimento ou, no mínimo, que o acompanha, e que Deus, quando cria, sabe precisamente o que está criando. Assim, o conceito de homem, no espírito de Deus, é assimilável ao conceito de corta-papel, no espírito do industrial; e Deus produz o homem segundo determinadas técnicas e em função de determinada concepção, exatamente como o artífice fabrica um corta-papel segundo uma definição e uma técnica. Desse modo, o homem individual materializa certo conceito que existe na inteligência divina. No século XVIII, o ateísmo dos filósofos elimina a noção de Deus, porém não suprime a ideia de que a essência precede a existência. Essa é uma ideia que encontramos com frequência: encontramo-la em Diderot, em Voltaire e mesmo em Kant. O homem possui uma natureza humana; essa natureza humana, que é o conceito humano, pode ser encontrada em todos os homens, o que significa que cada homem é um exemplo particular de um conceito universal: o homem. Em Kant, resulta de tal universalidade que o homem da selva, o homem da Natureza, tal como o burguês, devem encaixar-se na mesma definição, já que possuem as mesmas características básicas. Assim, mais uma vez, a essência do homem precede essa existência histórica que encontramos na Natureza.
O existencialismo ateu, que eu represento, é mais coerente. Afirma que, se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito: este ser é o homem, ou, como diz Heidegger, a realidade humana. O que significa, aqui, dizer que a existência precede a essência? Significa que, em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é nada: só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo. Assim, não existe natureza humana, já que não existe um Deus para concebê-la. O homem é tão-somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer; como ele se concebe após a existência, como ele se quer após esse impulso para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo. É também a isso que chamamos de subjetividade: a subjetividade de que nos acusam. Porém, nada mais queremos dizer senão que a dignidade do homem é maior do que a da pedra ou da mesa. Pois queremos dizer que o homem, antes de mais nada, existe, ou seja, o homem é, antes de mais nada, aquilo que se projeta num futuro, e que tem consciência de estar se projetando no futuro. De início, o homem é um projeto que se vive a si mesmo subjetivamente ao invés de musgo, podridão ou couve-flor; nada existe antes desse projeto; não há nenhuma inteligibilidade no céu, e o homem será apenas o que ele projetou ser. Não o que ele quis ser, pois entendemos vulgarmente o querer como uma decisão consciente que, para quase todos nós, é posterior àquilo que fizemos de nós mesmos. Eu quero aderir a um partido, escrever um livro, casar-me, tudo isso são manifestações de uma escolha mais original, mais espontânea do que aquilo a que chamamos de vontade. Porém, se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é o de pôr todo homem na posse do que ele é de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência. Assim, quando dizemos que o homem é responsável por si mesmo, não queremos dizer que o homem é apenas responsável pela sua estrita individualidade, mas que ele é responsável por todos os homens. A palavra subjetivismo tem dois significados, e os nossos adversários se aproveitaram desse duplo sentido. Subjetivismo significa, por um lado, escolha do sujeito individual por si próprio e, por outro lado, impossibilidade em que o homem se encontra de transpor os limites da subjetividade humana. É esse segundo significado que constitui o sentido profundo do existencialismo. Ao afirmarmos que o homem se escolhe a si mesmo, queremos dizer que cada um de nós se escolhe, mas queremos dizer também que, escolhendo-se, ele escolhe todos os homens. De fato, não há um único de nossos atos que, criando o homem que queremos ser, não esteja criando, simultaneamente, uma imagem do homem tal como julgamos que ele deva ser. Escolher ser isto ou aquilo é afirmar, concomitantemente, o valor do que estamos escolhendo, pois não podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos. Se, por outro lado, a existência precede a essência, e se nós queremos existir ao mesmo tempo que moldamos nossa imagem, essa imagem é válida para todos e para toda a nossa época. Portanto, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, pois ela engaja a humanidade inteira. Se eu sou um operário e se escolho aderir a um sindicato cristão em vez de ser comunista, e se, por essa adesão, quero significar que a resignação é, no fundo, a solução mais adequada ao homem, que o reino do homem não é sobre a terra, não estou apenas engajando a mim mesmo: quero resignar-me por todos e, portanto, a minha decisão engaja toda a humanidade. Numa dimensão mais individual, se quero casar-me, ter filhos, ainda que esse casamento dependa exclusivamente de minha situação, ou de minha paixão, ou de meu desejo, escolhendo o casamento estou engajando não apenas a mim mesmo, mas a toda a humanidade, na trilha da monogamia. Sou, desse modo, responsável por mim mesmo e por todos e crio determinada imagem do homem por mim mesmo escolhido; por outras palavras: escolhendo-me, escolho o homem.
Tudo isso permite-nos compreender o que subjaz a palavras um tanto grandiloquentes como angústia, desamparo, desespero. Como vocês poderão constatar, é extremamente simples. Em primeiro lugar, como devemos entender a angústia? O existencialista declara frequentemente que o homem é angústia. Tal afirmação significa o seguinte: o homem que se engaja e que se dá conta de que ele não é apenas aquele que escolheu ser, mas também um legislador que escolhe simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteira, não consegue escapar ao sentimento de sua total e profunda responsabilidade. É fato que muitas pessoas não sentem ansiedade, porém nós estamos convictos de que estas pessoas mascaram a ansiedade perante si mesmas, evitam encará-la; certamente muitos pensam que, ao agir, estão apenas engajando a si próprios e, quando se lhes pergunta: mas se todos fizessem o mesmo?, eles encolhem os ombros e respondem: nem todos fazem o mesmo. Porém, na verdade, devemos sempre perguntar-nos: o que aconteceria se todo mundo fizesse como nós? e não podemos escapar a essa pergunta inquietante a não ser através de uma espécie de má fé. Aquele que mente e que se desculpa dizendo: nem todo mundo faz o mesmo, é alguém que não está em paz com sua consciência, pois o fato de mentir implica um valor universal atribuído à mentira. Mesmo quando ela se disfarça, a angústia aparece. É esse tipo de angústia que Kierkegaard chamava de angústia de Abraão. Todos conhecem a história: um anjo ordena a Abraão que sacrifique seu filho. Está tudo certo se foi realmente um anjo que veio e disse: tu és Abraão e sacrificarás teu filho. Porém, para começar, cada qual pode perguntar-se: será que era verdadeiramente um anjo? ou: será que sou mesmo Abraão? Que provas tenho? Havia uma louca que tinha alucinações: falavam-lhe pelo telefone dando-lhe ordens. O médico pergunta: “Mas afinal, quem fala com você?” Ela responde: “Ele diz que é Deus”. Que provas tinha ela que, de fato, era Deus? Se um anjo aparece, como saberei que é um anjo? E se escuto vozes, o que me prova que elas vêm do céu e não do inferno, ou do subconsciente ou de um estado patológico? O que prova que elas se dirigem a mim? Quem pode provar-me que fui eu, efetivamente, o escolhido para impor a minha concepção do homem e a minha própria escolha à humanidade? Não encontrei jamais prova alguma, nenhum sinal que possa convencer-me. Se uma voz se dirige a mim, sou sempre eu mesmo que terei de decidir que essa voz é a voz do anjo; se considero que determinada ação é boa, sou eu mesmo que escolho afirmar que ela é boa e não má. Nada me designa para ser Abraão, e, no entanto, sou a cada instante obrigado a realizar atos exemplares. Tudo se passa como se a humanidade inteira estivesse de olhos fixos em cada homem e se regrasse por suas ações. E cada homem deve perguntar a si próprio: sou eu, realmente, aquele que tem o direito de agir de tal forma que os meus atos sirvam de norma para toda a humanidade? E, se ele não fazer a si mesmo esta pergunta, é porque estará mascarando sua angústia. Não se trata de uma angústia que conduz ao quietismo, à inação. Trata-se de uma angústia simples, que todos aqueles que um dia tiveram responsabilidades conhecem bem. Quando, por exemplo, um chefe militar assume a responsabilidade de uma ofensiva e envia para a morte certo número de homens, ele escolhe fazê-lo, e, no fundo, escolhe sozinho. Certamente, algumas ordens vêm de cima, porém são abertas demais e exigem uma interpretação: é dessa interpretação – responsabilidade sua – que depende a vida de dez, catorze ou vinte homens. Não é possível que não exista certa angústia na decisão tomada. Todos os chefes conhecem essa angústia. Mas isso não os impede de agir, muito pelo contrário: é a própria angústia que constitui a condição de sua ação, pois ela pressupõe que eles encarem a pluralidade dos possíveis e que, ao escolher um caminho, eles se deem conta de que ele não tem nenhum valor a não ser o de ter sido escolhido. Veremos que esse tipo de angústia – a que o existencialismo descreve – se explica também por uma responsabilidade direta para com os outros homens engajados pela escolha. Não se trata de uma cortina entreposta entre nós e a ação, mas parte constitutiva da própria ação.
(…)

A Terra em Miniatura

Se pudéssemos reduzir a população da Terra a uma pequena aldeia de exatamente 100 habitantes, mantendo as proporções existentes atualmente, seria algo assim:

57 asiáticos

21 europeus

4 pessoas do hemisfério oeste (tanto norte como sul)

e 8 africanos

52 seriam mulheres

48 homens

70 não seriam brancos

30 seriam brancos

70 não cristãos

30 cristãos

89 heterossexuais

11 homossexuais confessos

6 pessoas possuiriam 59% da riqueza de toda a aldeia

e os 6 (sim, 6 de 6) seriam norte americanos.

Das 100 pessoas, 80 viveriam em condições subumanas.

70 não saberiam ler

50 sofreriam de desnutrição

1 pessoa estaria a ponto de morrer

1 bebê estaria prestes a nascer

Só 1 (sim, só 1) teria educação universitária.

Nesta aldeia haveria só 1 pessoa que possuiria um computador.

Ao analisar nosso mundo desta perspectiva tão reduzida é quando se faz mais premente a necessidade de aceitação, entendimento, e educação.

  Agora pense…

Se você levantou esta manhã com mais saúde que doenças, então você tem mais sorte que os milhões de pessoas que não sobreviverão nesta semana.

Se você nunca experimentou os perigos da guerra, a solidão de estar preso, a agonia de ser torturado ou a aflição da fome, então está melhor do que 500 milhões de pessoas.

Se você pode ir à sua igreja sem medo de ser humilhado, preso, torturado ou morto… Então você é mais afortunado que 3.000 milhões (3.000.000.000) de pessoas no mundo.

 Se você tem comida na geladeira, roupa no armário, um teto sobre sua cabeça e um lugar onde dormir, você é mais rico que 75% da população mundial.

Se você guarda dinheiro no banco, na carteira e tem algumas moedas em um cofrinho… já está entre os 8% mais ricos deste mundo.

 Se teus pais ainda estão vivos e unidos… Você é uma pessoa muito rara.

 Se você leu esta mensagem, você tem melhor sorte que mais de 2.000.000.000 de pessoas neste mundo que não sabem, sequer, ler.

FELICIDADE REALISTA – Por Mário Quintana

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote
louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser
magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor.. não basta termos alguém com quem podemos
conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar
pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente
apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes
inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos
sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o
que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você
pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um
parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando
se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se
sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda,
buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e
um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza,
instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde
só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas
desta tal competitividade.

Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as
regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.

Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça de que a
felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir
embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não
sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade…